Não se torne aquilo que te feriu

naosetorneoqueteferiu

Andei lendo esses dias um texto na internet sobre o que queremos ser. Essa é uma questão que nos acompanha basicamente ao longo de toda a nossa existência. O que você quer ser quando crescer? O que quer da vida depois da formatura? Você quer ser mãe (na maioria das vezes a pergunta ja é que tipo de mãe você quer ser, ja assumindo que você quer ser mãe)? Querer ser varias coisas ao mesmo tempo não é legitimo. Confunde. Então nesse texto que eu li, a moça dizia que, profissionalmente, ela sempre soube mais o que não queria ser.

Essa ideia não me é nova. Diria até que sou bem familiarizada com ela. Não sei se porque faço parte da geração Y, sempre soube mais o que não queria ser do que o que eu realmente queria. Profissionalmente falando. Pessoalmente falando, é a moral de cada pessoa que dita o que ela é. Queremos sempre ser pessoas melhores, mas o nosso melhor é definido pelos parâmetros que temos, e esses parâmetros são regidos pelas nossas referências pessoais. De ética, de comportamento, de moral mesmo.  Sempre podemos ser uma versão melhor de nos mesmos. O caminho se torna mais dificil quando desejamos ser outra pessoa, aquilo que não somos. Não é mais questão de melhorar, e sim de se tornar outra pessoa.

Outro dia, conversando com um amigo, acabei deixando escapar que mudei muito depois que vim morar na França e que às vezes eu temia ser atropelada pela Natalia do passado. A unica pergunta que ele me fez foi « você faz um esforço tão grande assim para ser quem você é hoje »? E não, eu não faço. Eu sou quem eu sou, com as minhas vitorias e derrotas que traçaram o caminho que percorri até aqui. Acontece que às vezes eu também me sinto atropelada por quem ja fui, aquela versão rascunho de quem sou hoje. As vezes a Natalia de antigamente volta justamente porque eu não me tornei outra pessoa. Eu melhorei em alguns aspectos, coloquei outros em stand by e certamente piorei em outros.

Mas aquela Natalia pré-2010 ainda pulsa aqui dentro e às vezes mete os pés pelas mãos. Foi o caso recentemente. Voltei ao Facebook (e ja cheguei à conclusão de que essa rede social é realmente a que mais me suga energia, bom humor e disposição. Não fosse pelos inumeros videos de cachorros e gatinhos fofinhos eu ja teria saido novamente) e a minha segunda interação ja foi uma indireta a uma pessoa que ja foi muito querida para mim mas que infelizmente, diante da situação politica do pais, se tournou uma pessoa colérica e nociva que hoje em dia eu não faço tanta questão de ter por perto. Talvez pelo fato de ela ja ter sido tão querida, eu tenha tanta dificuldade em simplesmente deixar esse sentimento morrer e virar nada. Aquele processo do amor que vira decepção, depois raiva, depois nada. Essa constante na vida que é a gestão dos sentimentos. Ainda não aprendi.

O mais extraordinario é que nesse desejo de mudança tudo se encaixa. A indireta foi, esta la e vai ficar, para eu lembrar sempre do que eu não quero ser. Colérica e nociva. Também foi extraordinario captar os sinais do universo. Assumo a minha posição, mas não tive como ignorar apenas algumas horas depois, vendo o instagram de outra pessoa aleatoria que nada tem a ver com a historia, a frase « não se torne aquilo que te feriu ».

Anúncios

2 comentários sobre “Não se torne aquilo que te feriu

  1. Eu tô 2 anos sem Facebook ou Instagram e te digo, foi a melhor coisa que já fiz. Tomei essa decisão por vários motivos, tanto pelo tempo usado em redes sociais como justamente isso que você mencionou. O facebook acentua o pior das pessoas, tanto pela falta de noção e vaidade exacerbada, como por postagens opostas a nossa maneira de pensar. Eu tava tomando ódio de pessoas que eu achava super legais. Só que como não tenho contato com elas além do facebook, fica só o lado podre e eu me pergunto como um dia fui ter amizade com tal pessoa. Além disso, tem bem a coisa que a Jout Jout falou no vídeo anterior, o ” todo mundo tá mal”. Que o povo só posta o lado lindo, um mundo que não existe.
    Pra não dizer que não tenho rede social, uso um perfil fake do marido apenas pra acompanhar as notícias, páginas de humor e interagir com os pais e educadores da escola das minhas filhas, pois é lá que acontece organização de festas, avisos e etc.
    Muito bacana seu blog!! Tô amando “te” ler!

    Curtido por 1 pessoa

    • Que bom que você esta gostando do blog. 🙂 Eh um incentivo! Pois é. De modo geral eu gosto do Instagram, acho que pelo lado estético mesmo. Adoro acompanhar perfis sobre organização, minimalistas e pessoas que postam a vida de todo dia mesmo. Também é por la que eu mostro meu cotidiano à familia para diminuir a distâcia. Agora o facebook é realmente uma rede social que so me deixa ansiosa. Eu voltei la recentemente por conta da situação politica no Brasil, porque os melhores sites independentes que eu encontrei foram compartilhados por amigos de la. Mas agora que eu ja me convenci de que ou trabalho e durmo por aqui ou acompanho as reviravoltas no Brasil, ja estou achando a rede inutil novamente. O que salva são os grupos de ajuda animal (uma causa que defendo e adoro) e os perfis dos blogs que eu sigo mesmo. De resto, me desinscrevi de um monte de amigos e sites de noticias tipo G1 e Uol… Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s