Por que procrastino?

procrastinate

Em tempo, se alguém tiver a resposta a essa pergunta, favor deixar nos comentarios (mesmo que você leia esse post em 2025).

Desde que me entendo por gente sou procrastinadora. Dessas de revisar a matéria toda de véspera, o que inclusive so me desserviu porque quem decora não aprende. Dessas de lavar os cabelos à 1h da manhã mesmo tendo podido fazê-lo às 18, às 19h, às 20h… enfim. Vocês entenderam.

Lembro do dia em que conheci o principio do Bullet Journal. Achei lindo, no dia mesmo procurei um caderno para comprar e começar o meu, li textos, assisti videos. Você começou? Talvez sim, mas eu certamente não. O caderno ainda esta em branco e la se vão seis meses da minha descoberta. O melhor é que no comentario que deixei no video que me apresentou o bullet journal eu marquei outro amigo, também muito procrastinador, dizendo « nossa, se eu ja procrastino com agendas normais e nunca uso uma por mais de um mês, imagina que loucura eu fazer a minha propria agenda??? » Pois é.

Ja pensei em muitas razões para isso e realmente acredito que a minha procrastinação seja fisiologica. Não é que eu não tenha vontade de fazer. A vontade eu tenho, muitas vezes me falta a coragem. Por isso sempre me colocaram na categoria de pessoas preguiçosas, que eu aprendi a aceitar porque desisti de lutar contra essa corrente. A procrastinação pode ser engraçada (não sei se alguém acha engraçado procrastinar) para quem não a vive como um problema, o que não é o meu caso.

Eu não deixo de fazer uma coisa importante para fazer outra coisa mais importante. As vezes é apenas para fazer nada. Varias vezes ja me peguei em frente ao meu monitor do trabalho com o olhar no vazio, pensando um mil coisas ao mesmo tempo porém completamente impossibilitada de agir, procrastinando o que eu tinha para fazer. Eu não estava lendo blogs ou sites ou achando o meu trabalho monotono. Naquele momento, sem perceber, eu desconectei do presente. Esse meu comportamento é bem ciclico e acho que não preciso citar que coincide com os meus episodios de ansiedade.

Ja pensei em fazer testes psicologicos (psiquiatricos?) para saber se tenho déficit de atenção, essa doença pos moderna. A razão é que o meu pai tem e ja fez tratamento. Ja li muito a respeito e acho sim muito possivel eu ter. Por que ainda não fiz? Procrastino.

Colo logo aqui o trecho de um texto que li recentement no blog Ja’ matei por menos, de Juliana Cunha:

Procrastinação pressupõe um sofrimento pior do que o trabalho que ela evita. É uma paralisação. Vem de uma consciência prévia de que você vai fazer o mundo e o mundo ainda estará por fazer. De uma insegurança e desânimo. De uma falta de propósito. De uma certeza de não ser suficiente, de não ser bom o bastante, de uma impotência. Não vem de uma recusa, de uma vontade de fazer outra coisa, de ir para a sua vida. (Atenção significa atenção, Juliana Cunha)

Eu não poderia ter encontrado melhor definição para procrastinação. Pelo menos não para a que eu sinto, vivo e convivo com diariamente. E’ isso ai’ mesmo, sem tirar nem pôr. E’ começar uma semana jurando acordar às 6h todo dia para estar no trabalho às 7h, jurando repertoriar todas as minhas tarefas do dia na véspera para ter um dia mega produtivo e chegar ao final do dia me sentindo um fiasco tendo ainda mais coisas para fazer do que no começo do dia.

E’ também ter momentos de mega atenção, em que estou ligada no 220V, com todas as funções cognitivas operacionais, falando um francês perfeito, com zero dispersão no meu discurso e dando a impressão de que eu sou aquilo todos os 365 (ou 366) dias do ano. O que eleva ainda mais a frustração quando a atenção se esvai. E’ fazer um esforço sobrehumano todos os dias (exceto nos dias de super atenção) para existir nos moldes do que a sociedade espera de mim. E no final dia estar muito cansada.

O que eu tenho feito para lutar contra isso? Eu tomo vitaminas. Não sei em que altura da vida, certamente depois que me mudei para a Europa, onde as pessoas fazem curas de vitaminas (vit. B, zinco, calcio, ferro, etc) nas mudanças de estação. Em determinado momento eu achei que vitaminas me davam disposição e adotei esse ritual. Quando estou improdutiva demais, cansada demais, triste demais, compro minhas caixas para três meses de tratamento e, pode ser psicologico, na maioria das vezes melhoro. Outras não.

Se me perguntarem porque eu não vou ao médico, porque nunca procurei ajuda profissional, eu não saberia responder. Não existe preconceito da minha parte em relação a medicamentos. Muitas vezes eles são necessarios, outra não. Acredito que durante muito tempo me pus na segunda categoria. Mais uma vez recorrendo às palavras de Juliana, na falta de de um discernimento tão claro quanto o dela:

Eu comecei a tomar esse remédio depois de muita curiosidade sobre ele e de uma certa desconfiança de que tinha problemas concretos de atenção. Problemas que você pode dizer: todos temos, ao que respondo que sim, talvez “todos” tenhamos. Quase todos temos problemas de compulsão alimentar porque temos, enquanto sociedade, uma relação doentia com a comida e com os corpos. O fato de “todos termos” alguma coisa ou de “então até eu ter isso” não invalida que a coisa esteja aí e que, sim, talvez até você tenha (não te parece um sintomão daqueles isso de as pessoas desmerecerem um sofrimento psíquico dizendo que “se for assim até eu tenho?”. Você se sente acima demais para ter uma doença mental ou é justo o contrário, acha seus sofrimentos aquém de serem reconhecidos, compartilhados, de serem sequer nomeados?). (Atenção significa atenção, Juliana Cunha)

Esse texto não tem conclusão. Eu não fui ao médico depois que comecei a escrevê-lo nem tenho uma receita milagrosa para quem, assim como eu, dorme todo dia com a desconfiança de que algo esta errado. Este é apenas o um relato, um desabafo mesmo.

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