A vida sem redes sociais: 1 mês

Primeiramente eu gostaria de deixar aqui os meus melhores votos para você que chegou aqui por acaso. Acredito que ano novo seja sempre fonte de esperança e renovação em nossas vidas, em busca de sermos uma melhor versão de nos mesmos. Espero sinceramente que a cada ano possamos dar um passo rumo à pessoa que queremos ser sem deixarmos a nossa essência de lado.

Como eu disse no post anterior, abandonei muitas das minhas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram, as que mais me consumiam tempo) no comecinho de dezembro. Essa foi uma decisão bem pensada porque ha anos venho tendo conflitos com o meu eu da vida real e o meu eu da vida virtual. Mas o maior conflito de todos sempre foi com o tempo. O tempo que me é tomado pelas telas consumindo informação das mais variadas qualidades e principalmente não produzindo nada.

Gosto de ressaltar que esse é um sentimento bem pessoal* e que as redes sociais e a internet não tem o mesmo peso para todo mundo. Hoje mesmo assisti a um video de uma publicitaria e Youtuber e, principalmente criadora de conteudo, Julia Petit,  anunciando que vai tirar um ano sabatico em 2018 e usar a internet mais como consumidora do que tanto como criadora. São visões diferentes.

Nesse périplo sem as redes sociais venho aqui deixar algumas impressões desse primeiro mês e falar um pouco das atividades que comecei a praticar ou que estou praticando com mais frequencia.

  • Comecei um curso MOOC (Massive Open Online Course) sobre HTML5 e CSS3. « Mas Natalia, o design do seu blog continua bem basico… » Sim, é verdade. Avancei bastante nos modulos mas ainda não terminei. Tenho um site piloto nos moldes desse blog e do que gostaria que ele fosse, mas não é um pouco de HTML e de CSS que vão promover uma revira-volta no design desse blog, ainda mais porque usando WordPress gratuito eu não tenho liberdade alguma de fazer mudanças significativas. Um dia, porém, quem sabe eu pague um servidor externo que vai abrigar meu bloguinho todo novo e bonito. 🙂
  • Li uma HQ e um livro por puro prazer e sem interromper a leitura a cada dois segundos. A HQ se chama Culottées – que numa tradução bem aproximada eu chamaria de « Ousadas » – , é em francês e aborda o feminismo. São varias historias curtas sobre mulheres que fizeram o que deu na telha e que mudaram as convenções da época em que viveram (que vai desde séculos antes de Cristo até os dias atuais). Estou ansiosa para ler a segunda. E o outro livro foi Harry Potter and the Cursed Child, que li em inglês. Estou bem entusiasmada com as leituras de 2018 e ja comecei a fazer um inventario de todos os livros da minha estante que ainda estão por terminar ou que sequer abri. Gostaria, para o proximo ano, de fazer uma lista de livros para ler durante o ano. Um por mês numa lista fixa e, se o tempo deixar, ir adicionando outros para quando eu terminar a leitura do mês rapidamente. A unica regra vai ser não gastar um so centavo comprando livro novo, pelo menos não o livro « oficial do mês ». Talvez eu compre um ou outro livro novo para quando terminar o livro oficial antes do final do mês.
  • Fiz a minha faxina de fechamento de ano, detralhei muitas coisas, a casa esta um brinco. Mas como trabalho de casa nunca tem fim, ainda tem muita coisa a ser feita, principalmente no sotão, que nunca passa mais de 2 dias arrumado.
  • Descobri canais legais no Youtube. Entre eles estão o « Science Etonnante », que vulgarisa assuntos complexos de todas as ciências, como buracos negros, deep learning, bitcoins, teoria das cordas, paradoxos estatisticos e por ai vai. Claro que não memorizo tudo mas é sempre interessante ter uma ideia de assuntos sobre os quais eu não procuraria me informar por outros meios (ou talvez até procurasse, mas informação vulgarizada é sempre melhor, né? Ahah). Outro canal é o da super fofa Tatiana Feltrin, que fala de literatura de uma forma super descontraida e que me inspirou a fazer o mini-desafio citado acima.
  • Os passeios com a Lili ganharam em tempo e em qualidade. Em vez dos 15 minutos de lei que eu passeava com ela, agora procuro passar no minimo 45 minutos, o objetivo sendo uma hora. Nem sempre da porque estamos no inverno e entre vento, chuva e neve, às vezes Lili sofre (embora jamais reclame) quando não da intempérie, com as pedras de sal que colocam na rua para que a neve derreta mais rapido.

E isso são so alguns exemplos. Poderia citar mais cinco outros, mas o post vai ficar imenso.

Outro dia uma amiga me perguntou como estava a minha vida sem as redes e eu, que nem tinha parado para pensar ainda, me dei conta de que ela esta otima. O que é bem coerente porque em todas as vezes que cometi suicidio virtual o sentimento foi o mesmo. Sempre acabei voltando, infelizmente, por « pressões » externas (ahh, mas você não esta no Facebook, não da pra te marcar nas coisas, etc).

Esse é o unico preço a se pagar, o de ficar um pouco excluida. Porém, quanto mais evelheço, menos importância dou a isso. Hoje em dia acho que todas as pessoas importantes na minha vida tem o meu numero de telefone e podem me mandar mensagens pelos mil aplicativos que foram feitos com essa finalidade. Além disso, todo mundo meio que ja se deu conta da nocividade da linha do tempo e a informação de que não uso Facebook/Instagram choca cada vez menos. Tem gente que até me parabeniza.

Volto em breve aqui para contar sobre a experiência de voltar para o Facebook porque estou de viagem marcada para o Brasil e vou usa-lo para combinar de ver pessoas que não vejo ha anos. Vou usar Facebook porque quero evitar criar 2000 grupos em aplicativos de mensagens e depois ter que acompanhar as conversas ou sair, correndo o risco de chatear as pessoas que vão ficar. Gostaria que existisse a possibilidade de criar grupos efêmeros, com data de fim, mas salvo engano meu essa possibilidade ainda não existe. 😀

Não sai de todas as redes sociais que possuo. Continuo por exemplo usando Linkedin, por razões profissionais. Continuo também com Pinterest, que me da muitas ideias de decoração ou de imagens para publicar no blog, etc. Recentemente me inscrevi no Goodreadings para repertoriar as minhas leituras e ler criticas. Continuo no Youtube e a minha intenção é descobrir outros canais legais que saiam do eixo zen, motivação, beleza, etc. E acho que é so (e ja é bastante). O meu objetivo é usar os meus aparelhos para coisas uteis, que me tragam aprendizado

Para você que chegou aqui procurando experiência de abandono de redes sociais, o meu conselho é: se você não tem um projeto, uma necessidade profissional de networking por exemplo, uma razão bem valida de estar nas redes sociais, ABANDONE. Não precisa ser definitivamente. Pode ser temporariamente, como eu fiz, para se dar um tempo e ver como isso influencia sua vida. Va passear no parque, com a mãe/pai/irmão/cachorro/gato, com o(a) companheiro(a), deixe o telefone em casa, aprecie a qualidade do tempo gasto com pequenas coisas nas quais você nem pensava mais.

Mais uma vez deixo aqui um video de Jout Jout (maravilhosa) sobre uma questão tão contemporânea e tão bem abordada.

“O feed nos da a promessa do infinito”**

*Apesar de ser um sentimento bem pessoal, acredito que ele seja compartilhado por muitas pessoas. Ha algum tempo existiu mesmo um programa de suicidio virtual (Web 2.0 Suicide Machine), que ajudava as pessoas a fechar suas contas nas redes sociais em pouquissimo tempo. As ultimas noticias que li sobre foi que o Facebook bloqueou esse programa como aplicativo alegando que ele desrepeitava as normas da rede social. Segundo o criador a unica norma desrespeitada era o fato de o usuario ter que compartilhar  a senha para que o fechamento das contas fosse possivel. Em um pouco mais de um mês, 50 mil pessoas fecharam suas contas no Facebook.

** Estou CHOCADISSIMA porque não posso mais incorporar videos nos meus textos sem ter que pagar o wordpress??? E isso mesmo, produção?

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Nove meses depois…

La se vão nove meses desde o ultimo post desse blog. Tempo suficiente para conceber uma vida – o que não aconteceu, so para deixar claro.

Fim de ano obriga, voltei para fazer um balanço desse 2017. Nunca gostei de ano impar e não me perguntem o por que dessa birra. Fato é que tentando puxar um pouco na memoria muitas coisas ruins da minha vida aconteceram em anos impares. Como a minha reprovação na escola (repeti o primeiro ano) em 2001, um término que mexeu demais comigo em 2007, varias situações pessoais instaveis em 2011 e por ai vai. Engraçado que a primeira memoria estranha que tenho com ano impar é de 1993, quando eu tinha cinco anos e durante meses perguntei para a minha mãe se o ano ja tinha acabado.

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Momentos de maio III

  • 21 de maio: mêsversario e jardinagem
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Tentativa number two

Dia 11 de cada mês comemoramos o mêsversario do dia em que nos conhecemos, 11 de abril de 2011. Dia 21 é a vez do de casamento, que foi dia 21 de setembro de 2013. Comemorar é modo de falar, né? Eu sempre lembro, e pra mim ja basta. Então nesse domingo, depois do beijinho de mêsversario, fui com o G. numa loja de jardins e acabamos comprando dois pés de tomate e um pé de manjericão. Vejamos se esse ano a minha mão esta mais verde do que no ano passado, quando comprei um pezinho de manjericão, um de menta e um de cebolinha. Os três apodreceram por falta de sol. Estou confiante. Ponto negativo para o cheirinho de cocô de vaca que ficou na minha mão depois da plantação.

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Momentos de maio II

  • 06 de maio: o reencontro

Uma das melhores amizades que a França me trouxe foi a Lili, essa franco-mexicana que tem muito mais do México do que da França na alma. A conheci ainda em 2010, apenas seis meses apos a minha chegada, através de um ex-paquera, e foi amor à primeira vista (por ela, não pelo paquera). Perdi contato com o ex-paquera, mas ele cumpriu sua missão na terra nos apresentando. Infelizmente ela não mora mais na minha cidade. E’ dessas que passa meses sem dar noticias, mas sempre que passa pela região da um alô para sairmos juntas. Com o namorado, Nonô, me apresentaram o Fred, que também se tornou um otimo amigo meu e do Guillaume. Agora fazemos programas mesmo quando eles não estão na cidade. Nesse sabado nos reunimos com a irmã de Nonô e o marido, que também é brasileiro, para um brunch na casa deles, que fica numa cidadezinha do ladinho daqui de Clermont, Chamalières. O previsto era irmos dançar na sexta-feira, mas Lili e Nonô chegaram muito tarde e, depois de 5 horas de estrada e alguns engarrafamentos, estavam muito cansados. Deixamos a noite festiva para a proxima. 🙂

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Momentos de maio I

Esse post ficou imenso ja sem as fotos, então decidi dividi-lo em três partes para facilitar a leitura.

Na adolescência lembro de ter varias vezes ouvido a minha mãe dizer « não sei como essa menina consegue fazer tantos amigos ». Coisa de adolescente sociavel, né? Hoje, adulta parcialmente anti-social, me considero uma pessoa de poucos amigos. Acho que depois de tantos anos vivendo aqui aprendi um pouco com os franceses a não dar confiança para todo mundo. Não estou de jeito nenhum dizendo que isso é uma coisa boa, apenas que de uns tempos para ca tem sido assim para mim. Como muitos dos amigos que fiz aqui foram embora, chegou uma época em que desisti de me importar, para evitar ansiedade e sofrimento mais tarde. Que bobagem, né?

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Não se torne aquilo que te feriu

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Andei lendo esses dias um texto na internet sobre o que queremos ser. Essa é uma questão que nos acompanha basicamente ao longo de toda a nossa existência. O que você quer ser quando crescer? O que quer da vida depois da formatura? Você quer ser mãe (na maioria das vezes a pergunta ja é que tipo de mãe você quer ser, ja assumindo que você quer ser mãe)? Querer ser varias coisas ao mesmo tempo não é legitimo. Confunde. Então nesse texto que eu li, a moça dizia que, profissionalmente, ela sempre soube mais o que não queria ser.

Essa ideia não me é nova. Diria até que sou bem familiarizada com ela. Não sei se porque faço parte da geração Y, sempre soube mais o que não queria ser do que o que eu realmente queria. Profissionalmente falando. Pessoalmente falando, é a moral de cada pessoa que dita o que ela é. Queremos sempre ser pessoas melhores, mas o nosso melhor é definido pelos parâmetros que temos, e esses parâmetros são regidos pelas nossas referências pessoais. De ética, de comportamento, de moral mesmo.  Sempre podemos ser uma versão melhor de nos mesmos. O caminho se torna mais dificil quando desejamos ser outra pessoa, aquilo que não somos. Não é mais questão de melhorar, e sim de se tornar outra pessoa.

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Ta todo mundo ansioso

A ansiedade, no meu circulo de amizades ou de consumo de conteudo na internet, é globalmente um assunto pouco abordado. Também não é o meu assunto de predileção. Acontece que como estou passando por uma crise quase sem precedentes, estou mais interessada em procurar soluções. Nem por isso consumo conteudos de blogs ou videos exclusivamente sobre o assunto. Falo aqui de mim porque escrever sobre isso me ajuda a relativizar, mas não sei se seria uma boa ideia ler quem esta passando pela mesma situação neste exato momento. Pelo contrario, procuro acompanhar blogs que podem me ajudar a superar essa crise e vem daih o meu interesse perene por blogs e canais de minimalismo e organização.

Mas a ansiedade é mesmo um assunto da atualidade. Depois que comecei a escrever sobre isso, três pessoas que sigo nas redes abordaram o assunto de forma praticamente simultânea. Sendo uma de um pais diferente, que não poderia ter sido influenciada.

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Por que procrastino?

procrastinate

Em tempo, se alguém tiver a resposta a essa pergunta, favor deixar nos comentarios (mesmo que você leia esse post em 2025).

Desde que me entendo por gente sou procrastinadora. Dessas de revisar a matéria toda de véspera, o que inclusive so me desserviu porque quem decora não aprende. Dessas de lavar os cabelos à 1h da manhã mesmo tendo podido fazê-lo às 18, às 19h, às 20h… enfim. Vocês entenderam.

Lembro do dia em que conheci o principio do Bullet Journal. Achei lindo, no dia mesmo procurei um caderno para comprar e começar o meu, li textos, assisti videos. Você começou? Talvez sim, mas eu certamente não. O caderno ainda esta em branco e la se vão seis meses da minha descoberta. O melhor é que no comentario que deixei no video que me apresentou o bullet journal eu marquei outro amigo, também muito procrastinador, dizendo « nossa, se eu ja procrastino com agendas normais e nunca uso uma por mais de um mês, imagina que loucura eu fazer a minha propria agenda??? » Pois é.

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Organizando o segundo quadrimestre

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Pode parecer bizarra essa forma de organização – geralmente as pessoas planejam bimestres, trimestres ou semestres – mas é a que eu vou tentar « em primeira instância ». Moro no hemisfério norte e aqui as férias, as grandes férias como eles chamam, são durante os meses de julho e agosto. Então, para mim faz sentido organizar a vida de janeiro a abril, de maio a agosto e de setembro a dezembro. Pode mudar? Claro que pode. Mas vamos tentar assim antes.

Se vocês leram o meu ultimo post viram que de janeiro a abril eu apenas existi e fui sendo levada pela vida de forma caotica. Isso me fez querer dar mais rumo para os meses a seguir e a definir objetivos claros a serem declinados em ações do cotidiano. Vou colocar aqui alguns desses objetivos a curto prazo e tentar ser objetiva para a execução das ações.

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Um terço de 2017

Acredito que eu esteja vivendo o que toda pessoa desorganizada ja viveu um dia na vida: a extrema necessidade de organização. Essa necessidade pode chegar por varias razões: uma mudança de rotina, a chegada de um novo membro na familia, excesso de trabalho, etc. Na minha vida a necessidade de organização sempre foi ciclica e sempre dependeu muito do meu estado de espirito.

E’ bem simples: se as coisas à minha volta estão uma bagunça, a minha cabeça também fica uma bagunça. Se (e quando) estão bem, também fico bem. Acontece de eu estar bem e não ligar para a bagunça ao redor, mas é cada vez mais raro. Via de regra, a vida desorganizada me traz ansiedade e, somente quando a ansiedade ja esta a todo vapor, é que eu paro para me organizar globalmente. Nem preciso dizer quanto tempo esse modo de vida me custa, né?

Nesses primeiros meses de 2017 eu literalmente deixei a vida me levar. No final do ano passado eu e meu marido decidimos comprar uma casa e as nossas atividades nos meses seguintes foram ritmadas por reuniões no banco, no cartorio, e com os antigos proprietarios. O processo todo foi muito demorado – mais de três meses – e adicionou uma pitada de estresse desnecessaria às nossas vidas. Fato é que começamos a compra em outubro e no final de janeiro ainda não sabiamos a data da nossa mudança. Junte-se a isto a viagem que fariamos ao Brasil com os meus sogros no final de fevereiro, o meu trabalho, e sem uma organização rigorosa a minha vida virou um caos.

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